Talvez a definição geral de capitalismo em qualquer livro ou portal na internet, será uma definição que trocando palavras para não ficar uma cópia fiel da escrita de um autor para outro, mas girará em torno da ideia de afirmar que o referido modelo econômico visa o lucro, como se isso fosse algo obrigatório, enquanto que na prática, o fato não ocorre.
Quem vive num país capitalista, sabe que embora muitos busquem o lucro desenfreado, mas não há nenhuma obrigação por parte do governo para que você viva nessa busca incessante pela referida acumulação, não existe uma imposição de que se você não fizer, sofrerá consequências perante à lei.
Num país socialista, você é obrigado a aceitar o que o governo determina, diante de um Estado cada vez mais forte, controlador, que restringe certas liberdades individuais, enquanto que todas essas são permitidas no capitalismo e ninguém é oficialmente obrigado a acumular.
Muitos podem dizer que:
Não é que seja uma lei, uma obrigação oficial visar o lucro e acumular, mas que uma sociedade competitiva praticamente te obriga a isso: Você não prega tanto a liberdade? Por que se sente tão obrigado a copiar o que os outros fazem? Não é você mesmo quem gosta de romper com regras e tradições que são as bases das sociedades ocidentais? Pois bem, não compre a roupa da moda, não troque de celular todo ano, não tome o refrigerante mais tomado e tampouco ligue para a aprovação ou desaprovação dos outros! Você não é o primeiro a não se preocupar com o que os outros pensam em tantos outros assuntos que envolvem pensamentos conservadores apresentando seus pensamentos e estilos de vida progressistas? Por que só o estímulo ao lucro te seduz? Por que as tradições religiosas e os costumes conservadores como um todo não geram a mesma atração em você?
Outros podem ainda questionar dizendo que se você não entrar na dinâmica do estudo e do trabalho, ficará de fora do mercado e não terá oportunidades: Ora pois, veja - Quantas pessoas vivem com o básico e não por falta de oportunidade mas porque escolheram viver assim - notem que há estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil, e não falo daqueles que vêm trabalhar na informalidade, mas na formalidade, o que significa que não faltam vagas no país, o que falta é a pessoa em caso de necessidade, aceitar se abrir para outras áreas, ou se quer manter-se apenas na sua, aí é uma decisão, não uma necessidade, logo, se assim decidir, não poderá culpar o Estado, mas terá estudar mais, se preparar mais e entrar na competitividade por autodeterminação.
É agora onde muitos questionarão: Mas como se as oportunidades não são iguais? Como não? No que se refere ao governo são sim! Ah, mas e a vida individual de cada um? Mas isso não depende do governo! O governo oferece oportunidades iguais a todos, o que muda é o que a pessoa e sua família fizeram antes: O governo não é culpado se o pai e a mãe de uma pessoa melhor conseguiram acumular mais recursos e os de outra pessoa não, e olha que nem estou culpando os pais que não conseguiram ganhar mais dinheiro, apenas estou constatando um fato que não é culpa do governo, e aqui considerando pais que começaram do zero nos dois exemplos. Até mesmo num país socialista, aquela pessoa que nasceu num berço com menos economias dos pais, teria direito à educação igual ao outro que o pai e a mãe tenha juntado mais recursos na medida do possível. Porque num país capitalista, certos pais dão material mais decorado, paga professor particular e não exige do filho já jovem ter que começar a trabalhar, não quer dizer que outros não tenham igual direito à educação pública e há casos de pessoas que estudando em colégio público, passam em concursos na frente de pessoas que estudaram no particular, pois não é dinheiro que compra esforço e conhecimento. Quantas pessoas a vida toda estudaram em escola pública, nunca tiveram vantagem nenhuma com nada, nem auxílio do governo nunca receberam e conseguiram conquistar seu lugar.
Muitos podem alegar que em países socialistas, direitos básicos são garantidos a todos: Até a página B, pois quando o país não se sustenta, o povo é o primeiro a passar pela miséria, enquanto que os governantes vivem na maciota. E países completamente socialistas, isto é, na economia e na ideologia, historicamente não prosperaram da mesma forma que aqueles que adotaram que seja um mercado capitalista. Muitos citam os países nórdicos e outros países europeus como exemplos de países socialistas que dão certo, esquecendo-se que, na verdade, eles têm um mercado capitalista, enquanto que apenas as ideologias são progressistas, como é o caso da China, na Ásia, que mantém um governo socialista no que tange às leis, ao controle das liberdades individuais das pessoas etc, mas só progrediu quando abriu a economia e adotou um mercado capitalista, se tornando a fábrica do mundo. Mas o que adiantou? O dinheiro veio, mas a liberdade não.
O sistema completamente socialista obriga a sociedade a ser exposta a apenas poucas coisas autorizadas pelo governo, obriga as pessoas a se enquadrarem num regime que só se mudarem de lá, caso o governo permita a saída do cidadão do país, que poderiam apostar numa realidade diferente; enquanto que no sistema capitalista, a pessoa é livre para acumular, mas também não é obrigada. A pessoa num país capitalista pode ser aquela que tira o essencial para sua família e aproveita o tempo como deseja, consome aquilo que mais lhe atraia e pode descansar sem medo de ter sua liberdade de expressão cassada. Aquele que fica querendo só ganhar mais e mais e nada chega, não aproveita o que já tem com a família e só quer aumentar, aumentar e aumentar o patrimônio, não é escravo do sistema, mas de sua ganância. A definição que o mundo dá para capitalismo, na verdade seria a definição para ganância, para mercenarismo, para consumismo, enquanto que a verdadeira definição para capitalismo, deveria ser possibilismo, pois não te aprisiona num sistema, mas lhe permite muitas possibilidades, entre elas a de escolher uma só marca, consumir apenas o necessário e dentro dele viver o seu minissocialismo. É possível ser socialista com os amigos que queiram viver todos iguais, num sistema capitalista, mas não é possível fazer o mesmo, isto é, ser capitalista dentro de um sistema socialista, a menos que a pessoa seja um governante ou membro do alto escalão do governo e outras classes por vezes privilegiadas.
Termino concluindo: Sei que muitos vão apresentar questionamentos com falsas simetrias, com falsos espantalhos e tantos outros argumentos que se eu lutasse para já deixá-los respondidos, ainda assim não adiantaria, por isso encerro por aqui e peço para cada um olhar para si. Se você mora num país como Brasil, Estados Unidos, Coreia do Sul, África do Sul ou outros mais, veja se vale a pena abrir mão de tudo que você têm e ir para Cuba ou para o Vietnã, ou se é melhor ficar na sua terra ou buscar outra similar, pois o socialismo na totalidade é isso aí, China e países europeus chamados de sociais democracias, na verdade são capitalistas de mercado, mergulhados em ideologias progressistas. Alguns posicionamentos de países capitalistas com viés mais conservador, podem te desagradar, mas pelo menos lá, você é livre para criticar.
Capitalismo não é, nem nunca foi em minha visão, uma prisão, mas uma decisão. Não o vejo como acumulação, lucro, obrigatoriedade, mas como opção, organização e possibilidade.
Minha visão enquanto não só professor formado em duas graduações, sendo uma na área de humanas e a outra na área de linguagens, mas também nos meus estudos de especialização, onde estudando a teologia e aplicando na realidade católica, no parágrafo 2425 do catecismo, encontro uma menção que parece preparar o terreno para a tese que aqui defendi neste ensaio. A Igreja rejeita integralmente as ideologias socialistas e comunistas, que muitas vezes atuam nos países que são chamados de socialistas que deram certo. A única coisa socialista nesses países, é justamente todo o arsenal de ideologias condenadas pela Igreja, enquanto que o que faz o país prosperar, é o mercado capitalista. E no mesmo parágrafo, a Igreja não condena o capitalismo integralmente, mas apenas quando visto naquilo que a maioria das definições até então consagradas tentam apresentá-lo, como se fosse necessário o individualismo, enquanto que ele é apenas possível; mas a Igreja não condena o capitalismo como possibilidade, onde é permitida a organização, a vivência para as coisas de Deus e para a família, tal qual a caridade e a solidariedade. Resumindo para terminar de encerrar - O que vejo como modelo mais próximo do moralmente aceitável pela fé que professo, é este que acabo de apresentar e como estamos no capitalismo, você é livre para discordar, não é obrigado a concordar. Mas será que num país completamente socialista e/ou comunista, eu poderia uma tese assim publicar?